“Somos um governo que respeita os povos indígenas e reconhece seus direitos”, diz Lula ao lado de lideranças indígenas no Xingu

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, esteve nesta sexta-feira, 4 de abril, na Aldeia Piaraçu, localizada na Terra Indígena Capoto-Jarina, em Mato Grosso. Recebido em meio a danças e cantos indígenas, Lula se reuniu com o cacique Raoni Metuktire e outras lideranças das Terras Indígenas Capoto-Jarina, Panará, Parque Indígena do Xingu e Wawi da bacia do Rio Xingu.

“Somos um governo que respeita os povos indígenas, reconhece seus direitos e trabalha dia e noite, noite e dia, para que eles sejam assegurados. Não só respeitamos e reconhecemos, mas admiramos e amamos seus saberes e sua cultura”, declarou o presidente Lula durante seu discurso.

Somos um governo que respeita os povos indígenas, reconhece seus direitos e trabalha dia e noite, noite e dia, para que eles sejam assegurados. Não só respeitamos e reconhecemos, mas admiramos e amamos seus saberes e sua cultura
Luiz Inácio Lula da Silva,
Presidente da República

RECONHECIMENTO — Durante a visita, o presidente entregou ao cacique Raoni Metuktire a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados em defesa dos direitos dos povos indígenas, da Floresta Amazônica e do meio ambiente. A condecoração foi oficializada na edição desta sexta-feira (4/4) do Diário Oficial da União (DOU), com assinatura também do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.

O presidente Lula enalteceu o trabalho realizado pelo cacique, que resultou em conquistas indígenas nas últimas décadas. Além disso, reconheceu que Raoni inspira sabedoria, conhecimento, atraindo atenção nacional e internacional.

“É com muita alegria que fazemos esse reconhecimento com a medalha Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito, a mais alta condecoração do Estado Brasileiro. Guerreiro incansável na defesa dos povos indígenas, do meio ambiente e da Amazônia, nosso querido Raoni segue ativo em sua nobre missão de semear a cultura indígena e o respeito aos povos originários e à floresta”, ressaltou Lula.

TRAJETÓRIA — Falando em seu idioma, o cacique Raoni recordou sua trajetória na luta pelos direitos dos povos indígenas. “Eu, desde jovem, sempre lutei por nosso povo, pelo direito do nosso povo, pelas nossas terras e pela nossa gente. Só isso que eu fiz até hoje e agora vocês estão me vendo mais idoso, mas há muito tempo eu venho lutando por nós, povos indígenas”, disse.

Raoni declarou ao presidente Lula seu desejo de que ambos sejam vistos como exemplos em busca da paz. “Quero que a gente seja exemplo para outras pessoas, para que, depois de nós, quando partirmos, essas pessoas possam continuar defendendo outras pessoas, com esse trabalho de ajudar, proteger, garantir a paz, para que todos tenham paz.”

Na cerimônia, o presidente Lula e a primeira-dama Janja foram homenageados pelas mãos de Raoni com um colar de conchas, e de um cesto cargueiro, por Kokonã, filha do cacique.

PROTEÇÃO — O presidente afirmou que, além das homenagens, foi o momento de escutar as demandas das lideranças indígenas. Lula enfatizou que assegurar os direitos indígenas é prioridade no Governo Federal e destacou a demarcação de terras e os processos de desintrusão que estão ocorrendo em terras indígenas. Ele também afirmou que os povos indígenas são fundamentais para atingir o desmatamento zero da Amazônia até 2030, reconhecendo que, sem eles, os eventos climáticos seriam ainda mais extremos.

“Reconhecemos os direitos e temos a exata noção do papel indispensável dos povos indígenas para a preservação da floresta e para nosso enfrentamento à mudança do clima. Sem a proteção dos povos indígenas, o cuidado com a floresta e os rios, a crise climática traria eventos ainda mais extremos – de secas a inundações – para toda a população brasileira, sem exceção.”

O esforço na proteção dos povos originários brasileiros, destacou o presidente, é cumprir um dever constitucional, com políticas públicas que assegurem integralmente os direitos. “Não fazemos mais do que garantir o que prevê a Constituição. Sabemos que muitas vezes o tempo das coisas é mais lento do que as vontades. As de vocês e as nossas. Mas olhamos para o mesmo rumo, temos o mesmo propósito e a certeza de que o Brasil que queremos e que estamos construindo respeita e valoriza nossos povos originários”, disse o presidente.

04.04.2025 - Cerimônia de homenagem ao Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e à Senhora Janja Lula da Silva de condecoração do Cacique Raoni Metuktire com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito

AVANÇOS — A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, registrou os avanços dos últimos dois anos da atual gestão na questão indígena, como as 13 terras indígenas homologadas. “Com esses dois anos a gente já ultrapassou os 10 últimos anos de outras gestões em demarcações de terras indígenas. Com o presidente Lula, nós assinamos 13 territórios indígenas, que foram homologados. Nós já assinamos, no Ministério da Justiça e Segurança Pública, 11 portarias declaratórias”, disse.

REPRESENTATIVIDADE – Além disso, Guajajara ressaltou a representatividade indígena no Governo Federal. “O presidente Lula proporcionou que houvesse indígenas ocupando cargos estratégicos no Governo Federal. Mais do que estar hoje ocupando esses cargos presencialmente, estamos levando também uma conscientização e compreensão sobre o que é ser indígena neste país, um trabalho de fazer com que as pessoas entendam o papel que os povos e territórios indígenas exercem para o Brasil e para o mundo”, disse a ministra.

PARTICIPANTES — Também participaram da cerimônia as ministras Margareth Menezes (Cultura), Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima); Macaé Evaristo (Direitos Humanos e da Cidadania); os ministros Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária); Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar); a presidenta da Funai, Joenia Wapichana; o secretário de Saúde indígena, Ricardo Weibe Tapeba; e as deputadas federais Célia Xakriabá, Dandara Tonartzin, Juliana Cardoso.

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